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Tribunal de Leiria condena quatro residentes em Torres Vedras a penas até nove anos por furtos em cemitérios

Autor:

Redação

2 Julho 2026

Redação

2 Julho 2026

O Tribunal de Leiria condenou quatro arguidos residentes no concelho de Torres Vedras a penas de prisão efetiva entre os quatro e os nove anos, por uma série de furtos praticados em vários pontos do país, sobretudo em cemitérios. No mesmo processo, outros quatro arguidos receberam penas de prisão suspensas na sua execução.

De acordo com o acórdão, a pena mais elevada, de nove anos de prisão, foi aplicada a um homem de 28 anos, considerado culpado pela prática, em coautoria, de 13 crimes de furto qualificado, dois crimes de furto simples e dois crimes de dano qualificado. Um segundo arguido, de 27 anos, foi condenado a sete anos de prisão por um total de 11 crimes, entre furtos simples, furtos qualificados e dano qualificado.

O coletivo de juízes condenou ainda um homem de 34 anos a quatro anos de prisão efetiva e uma mulher de 30 anos a cinco anos e nove meses de prisão, esta última pela prática de 17 crimes.

Entre os restantes arguidos, uma mulher de 32 anos foi condenada a quatro anos de prisão, pena suspensa por cinco anos e sujeita a regime de prova. Um homem e duas mulheres, com idades compreendidas entre os 20 e os 65 anos, foram condenados pelo crime de receptação dolosa a 14 meses de prisão, igualmente suspensos por igual período e acompanhados por regime de prova.

Além das penas de prisão, alguns dos condenados terão ainda de pagar ao Estado diversas quantias, em regime de solidariedade, com valores que variam entre 600 e 20.557 euros, bem como indemnizações às vítimas, fixadas entre 250 e 4.000 euros. Uma empresa de reciclagem de sucatas, também arguida no processo, foi absolvida dos quatro crimes de receptação de que estava acusada.

Na fundamentação da decisão, o tribunal destaca a audácia do grupo, o elevado número de crimes praticados e o impacto causado junto das populações. Os juízes sublinham ainda que os furtos incidiam sobre bens de fácil transporte e comercialização, salientando igualmente a falta de colaboração dos arguidos para o apuramento da verdade, a inexistência de reparação voluntária dos prejuízos e a dimensão territorial da atividade criminosa, fatores que justificaram a aplicação de penas de prisão efetiva.

O processo resulta de uma investigação desenvolvida pela Guarda Nacional Republicana (GNR), que em junho de 2025 anunciou a detenção de três homens e duas mulheres suspeitos da prática de mais de uma centena de furtos em cemitérios, residências e veículos nos distritos de Leiria, Lisboa, Coimbra, Santarém, Évora e Setúbal.

Durante a operação foram apreendidos quatro veículos, uma minimoto, 495 euros em numerário, cerca de 738 quilogramas de metais já preparados para venda, dezenas de estatuetas religiosas, equipamentos eletrónicos, ferramentas utilizadas na prática dos crimes e diversa documentação relacionada com a venda de metais preciosos e não preciosos. Na altura, a GNR constituiu ainda quatro pessoas arguidas e investigou uma empresa por suspeitas de auxílio à prática dos crimes e de receptação.

Imagem: Joaquim Dâmaso | Região de Leiria