Cinco meses após as cheias que atingiram o Baixo Mondego, os Viveiros Alfredo Moreira da Silva, em Coimbra, continuam sem ver chegar os apoios necessários para recuperar dos prejuízos provocados pela força das águas.
Em fevereiro, a rutura do dique junto à A1 inundou um dos terrenos da empresa, arrastando cerca de 400 mil plantas ornamentais e deixando a exploração coberta por areia, sedimentos e detritos. Além da produção, também o armazém, os equipamentos e a maquinaria ficaram inutilizados.
Para garantir a continuidade da atividade, a empresa transferiu a produção para um terreno em São João do Campo, onde instalou novas estufas e adquiriu maquinaria para retomar o cultivo.
Os prejuízos rondam os dois milhões de euros e, apesar das candidaturas apresentadas aos apoios disponibilizados pelo Estado, o empresário continua sem respostas concretas.
A maior preocupação prende-se agora com o desassoreamento dos terrenos. Sem essa intervenção, Albano Moreira da Silva receia perder os apoios já candidatados e admite que a exploração poderá tornar-se economicamente inviável caso os trabalhos não avancem antes do outono.
Em declarações ao Diário de Coimbra, a Associação de Beneficiários do Baixo Mondego (ABBM) explica que assumiu a coordenação da recuperação dos terrenos afetados pelas cheias, abrangendo cerca de 12 mil hectares. A candidatura, superior a 4,5 milhões de euros, foi aprovada no início de junho e encontra-se agora na fase de preparação do concurso público que permitirá avançar com os trabalhos de desassoreamento e recuperação das infraestruturas de rega e drenagem.
A associação manifesta confiança de que o processo possa avançar em breve, permitindo devolver condições de trabalho aos agricultores e empresas que continuam a enfrentar as consequências das cheias que atingiram a região em fevereiro.
Imagem: Paulo Novais/ Lusa












