O ministro da Educação, Fernando Alexandre, reconheceu que o Governo poderia ter comunicado de forma mais clara o impacto da transição para os exames digitais, mas rejeitou que existam motivos para o clima de preocupação que se instalou em torno do processo. Em declarações na Grande Entrevista da RTP, citadas pela Lusa, o governante considerou que houve um “alarmismo exagerado” e garantiu que todas as falhas identificadas estão a ser corrigidas.
Segundo Fernando Alexandre, os exames nacionais estiveram sempre seguros e protegidos, assegurando que os alunos não serão prejudicados pelos problemas registados. O ministro frisou que todas as provas estão guardadas nas instalações da Imprensa Nacional-Casa da Moeda e que a classificação final de cada estudante corresponderá ao trabalho desenvolvido ao longo do percurso escolar.
Relativamente aos erros associados à digitalização das provas, o responsável pela tutela garantiu que cada situação detetada é analisada e corrigida. Defendeu ainda que a utilização de um sistema digital representa uma vantagem precisamente por tornar as falhas mais fáceis de identificar e resolver, ao contrário do que acontece em processos exclusivamente em papel.
Ainda de acordo com a agência Lusa, Fernando Alexandre procurou relativizar a dimensão dos problemas, referindo que foram registados 680 erros de digitalização num universo de cerca de 290 mil provas realizadas.
Questionado sobre o arranque do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, que registou apenas 2 700 candidaturas nos dois primeiros dias, muito abaixo das cerca de 16 mil do mesmo período do ano passado, o ministro admitiu que muitos estudantes poderão estar à espera da atualização das classificações antes de submeterem a candidatura.
Apesar da polémica, Fernando Alexandre reafirmou que a digitalização dos exames é uma reforma estrutural que irá prosseguir. O ministro assumiu a responsabilidade pela decisão e sustentou que Portugal integra o grupo dos países mais avançados neste processo de modernização da avaliação externa.
Quanto à experiência-piloto realizada em 2025 com as provas de Filosofia, o governante garantiu que existiu acompanhamento e documentação do projeto. Segundo explicou, há informação escrita que aponta para um processo sem problemas relevantes e a decisão de avançar para a avaliação digital foi tomada depois de ouvidas as entidades competentes, nomeadamente o EduQA e o Júri Nacional de Exames.
Fernando Alexandre manifestou ainda estranheza perante as declarações do antigo presidente do Júri Nacional de Exames, que afirmou terem existido falhas na fase experimental. O ministro contrapôs que essa versão não coincide com a informação oficial de que o Governo dispõe.
Notícia adaptada pela redação da RDS com base em informação publicada pelo jornal Expresso e pela Agência Lusa.
Imagem: Governo da República Portuguesa












