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Obras de reforço de areia entre a Rocha e o Vau suspensas até depois do Verão

Autor:

Redação

26 Maio 2026

Redação

26 Maio 2026

A empreitada de alimentação artificial das praias entre a Praia da Rocha e o Vau, no concelho de Portimão, foi suspensa e ficará adiada para depois da época balnear, depois de os trabalhos não terem avançado ao ritmo previsto. A intervenção deveria estar concluída até 31 de maio, mas encontra-se ainda longe da meta inicialmente definida.

A confirmação foi feita pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, durante uma deslocação ao Algarve, onde explicou que dificuldades técnicas e logísticas impediram a conclusão da obra antes do início da época balnear. Segundo a governante, todo o equipamento atualmente instalado na frente de praia será retirado durante esta semana, ficando os trabalhos suspensos até ao final do Verão.

A intervenção abrange uma frente costeira de cerca de 1350 metros, desde a Praia da Rocha até ao Vau, passando pelas praias dos Três Castelos, Amado e Careanos. O objetivo da obra consistia na transferência de areia da Praia da Rocha — considerada com excesso de sedimentos acumulados ao longo dos anos — para praias vizinhas fortemente afetadas pela erosão costeira e pela perda progressiva de areal.

O método escolhido para executar a operação tinha sido apresentado, no arranque da obra em dezembro, como uma solução inovadora. A técnica previa a utilização de um sistema de tubagens para transportar areia entre praias através de bombagem hidráulica. No entanto, segundo a ministra, o processo revelou dificuldades técnicas significativas associadas à mistura entre água, areia e ao longo percurso necessário para a deslocação dos sedimentos.

Apesar da suspensão, vários tubos e maquinaria continuavam ainda visíveis ao longo da Praia da Rocha e das praias adjacentes. A tutela garante, contudo, que todos os equipamentos serão removidos antes do início efetivo da época balnear, de forma a evitar impactos na segurança, circulação e utilização das praias pelos banhistas.

O presidente da Câmara Municipal de Portimão, Álvaro Bila, admitiu preocupação com o reduzido avanço da obra, revelando que ao longo dos últimos meses procurou obter esclarecimentos junto da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade responsável pela empreitada. Ainda assim, o autarca valorizou o facto de a ministra ter assumido publicamente a suspensão temporária dos trabalhos.

Álvaro Bila defendeu também que a retoma da obra deverá acontecer apenas após o final efetivo da época balnear, preferencialmente em outubro, sublinhando que as praias do concelho continuam a registar elevada procura até ao início do outono devido às condições climatéricas favoráveis.

Questionada sobre a possibilidade de existirem custos adicionais decorrentes da interrupção da empreitada, Maria da Graça Carvalho respondeu que essa situação ainda terá de ser avaliada. A ministra frisou, contudo, que as dificuldades encontradas não podem ser atribuídas diretamente ao empreiteiro, considerando tratar-se de um processo tecnicamente complexo associado às características específicas daquela frente costeira.

O autarca de Portimão mostrou ainda expectativa de que, numa futura fase da intervenção, o projeto possa ser alargado às praias do Vau e do Barranco das Canas, zonas particularmente afetadas pelos temporais do último inverno e que não estavam incluídas na empreitada inicial.

Segundo Álvaro Bila, a Praia da Rocha acumulou, ao longo dos anos, grandes quantidades de areia provenientes da erosão das praias vizinhas, justificando a necessidade de redistribuição dos sedimentos ao longo da costa para recuperar zonas atualmente mais vulneráveis à ação do mar.

Foto: Elisabete Rodrigues | Sul Informação