Uma fuga de gases tóxicos na empresa frutícola O Melro, no concelho do Bombarral, obrigou ontem à retirada de todos os trabalhadores das instalações e mobilizou um elevado dispositivo de socorro. O incidente provocou dezenas de pessoas com dificuldades respiratórias, tendo 12 sido transportadas para o Hospital das Caldas da Rainha para avaliação e tratamento.
O alerta foi dado por volta das 9h00, na sequência de uma explosão causada por uma reação química ocorrida no interior da unidade industrial. Como medida de precaução, os 151 trabalhadores que se encontravam nas instalações foram imediatamente evacuados, permitindo que os meios de emergência interviessem em segurança.
Segundo o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Oeste, Carlos Silva, o acidente terá resultado de uma avaria num sistema doseador utilizado no processo industrial. A falha técnica terá provocado uma mistura incorreta de hipoclorito de sódio com ácido sulfúrico, originando uma reação química que culminou numa explosão e na libertação de gases tóxicos.
Na sequência do incidente, 79 pessoas receberam assistência no local por apresentarem dificuldades respiratórias ou outros sintomas relacionados com a exposição aos gases libertados. Destas, 12 necessitaram de ser transportadas para o Hospital das Caldas da Rainha para observação e acompanhamento médico.
Apesar do elevado número de pessoas assistidas, as autoridades não divulgaram informação sobre a existência de feridos graves, indicando apenas que os casos transportados para a unidade hospitalar exigiram uma avaliação mais aprofundada.
De acordo com a Emergência e Proteção Civil do Oeste, a libertação dos gases ficou confinada ao interior das instalações da empresa, não tendo sido registada qualquer fuga para o exterior ou qualquer risco de contaminação ambiental nas zonas envolventes.
Como medida preventiva, a atividade da empresa foi suspensa e as instalações permaneceram encerradas até, pelo menos, às 14h00, período durante o qual equipas técnicas procederam à monitorização da qualidade do ar e à verificação das condições de segurança antes da retoma da atividade.
A operação de socorro mobilizou um total de 31 operacionais, apoiados por 14 viaturas. No local estiveram elementos dos bombeiros, da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER), da Cruz Vermelha Portuguesa, do Serviço Municipal de Proteção Civil e da Guarda Nacional Republicana (GNR), que asseguraram o apoio às vítimas, a coordenação das operações e a segurança da área durante toda a intervenção.
As autoridades continuam a acompanhar a ocorrência e deverão apurar as circunstâncias exatas que estiveram na origem da avaria e da consequente reação química, com o objetivo de determinar as causas do incidente e prevenir situações semelhantes no futuro.
Imagem: Jornal das Caldas












