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Encerramento das urgências do Barreiro volta a ser discussão na reunião de Câmara do Montijo

Autor:

Redação

2 Abril 2026

Redação

2 Abril 2026

O encerramento das urgências de obstetrícia do Hospital do Barreiro voltou a dominar a reunião da Câmara Municipal do Montijo, marcada por críticas ao Governo e por um ambiente de confronto político entre vereadores de diferentes forças partidárias.

O tema foi levantado pelo vereador do Partido Socialista, Ricardo Bernardes, que questionou o presidente da autarquia, Fernando Caria, sobre o ponto de situação das diligências junto de outros municípios da Península de Setúbal para impedir o encerramento deste serviço essencial.

Em resposta, o autarca garantiu que os contactos continuam a decorrer, envolvendo quatro municípios da margem sul e também Vila Franca de Xira. Segundo explicou, os autarcas têm reforçado a pressão junto da Ministra da Saúde e solicitado uma audiência na Assembleia da República com todos os grupos parlamentares, com o objetivo de assegurar a manutenção das urgências de obstetrícia no Barreiro ou, em alternativa, garantir uma resposta eficaz no Hospital Garcia de Orta.

O debate intensificou-se com a intervenção do vereador do Chega, Nuno Valente, que classificou a situação como “grave” e apontou o caso recente de uma grávida da Moita que, sem vaga hospitalar, acabou por dar à luz no parque de estacionamento do Hospital de Santa Maria. O autarca defendeu a demissão da Ministra da Saúde e questionou diretamente o vereador do PSD sobre essa posição.

A resposta partiu de Pedro Vieira, que rejeitou alinhar com essa abordagem, sublinhando que não se revê na forma de atuação política do Chega e defendendo o diálogo institucional como via preferencial. O vereador afirmou que a ação política deve privilegiar a negociação com o Governo, em vez de posições de rutura.

A troca de argumentos subiu de tom quando Nuno Valente acusou o PSD de tentar “abafar” a oposição e utilizou expressões críticas em relação à estratégia política dos sociais-democratas, num momento que evidenciou a tensão no executivo municipal.

Para além da questão da saúde, a reunião abordou outros temas relevantes para o concelho. Ricardo Bernardes voltou a intervir para questionar a situação da recolha de resíduos, apontando ainda problemas de acumulação de lixo junto a contentores. O presidente da Câmara garantiu que o serviço está em processo de normalização.

No plano financeiro, Pedro Vieira justificou o voto contra a distribuição de lucros da AMARSUL, argumentando que a empresa não cumpriu o nível de investimento previsto, tendo executado apenas quatro milhões de euros em 2025, abaixo dos mais de dez milhões inicialmente programados.

A reunião incluiu ainda questões relacionadas com o desenvolvimento urbano, nomeadamente o ponto de situação da requalificação do edifício da Trabatijo, destinado a futuro polo cultural, ainda sem utilização definida. Foi também abordada a recuperação da estrada do Seixalinho, cuja degradação se agravou com as condições meteorológicas recentes. Fernando Caria admitiu atraso na intervenção, mas garantiu que o concurso para a obra já foi lançado, prevendo a sua conclusão até junho, antes das festas de São Pedro.

A sessão ficou assim marcada por um debate centrado na área da saúde, mas também por divergências políticas e pela análise de outros dossiers estruturantes para o concelho do Montijo.

Imagem: CMM