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Serra da Malcata vai voltar a acolher o lince-ibérico em Penamacor

Autor:

Redação

4 Maio 2026

Redação

4 Maio 2026

A Reserva Natural da Serra da Malcata, situada no concelho de Penamacor, distrito de Castelo Branco, foi escolhida como nova área para a reintrodução do lince-ibérico, segundo anunciou a ministra do Ambiente e Energia à agência Lusa.
Maria da Graça Carvalho explicou que o objetivo é devolver a espécie a um território onde historicamente já existiu. A declaração foi feita durante a apresentação do Plano de Ação para a Conservação do Lince-Ibérico em Portugal 2026-2030 (PACLIP), realizada no âmbito da Ovibeja, em Beja.

O novo plano define metas para a próxima década e pretende contribuir para a criação de oito novos núcleos populacionais na Península Ibérica, prevendo ainda a identificação de uma nova zona de reintrodução em Portugal até 2030. A Serra da Malcata surge agora como uma das áreas selecionadas para esse efeito.
De acordo com a ministra, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) já está a trabalhar em articulação com a Câmara Municipal de Penamacor para definir uma área vedada onde os primeiros exemplares possam ser libertados. Esta fase inicial decorrerá numa zona cercada, mas suficientemente extensa, permitindo assim que os animais vivam em condições naturais e não em regime de cativeiro permanente.

O PACLIP 2026-2030 substitui o plano anterior e estrutura-se em dez linhas de atuação, que incluem a proteção legal da espécie, a monitorização das populações, a recuperação e a melhoria do habitat, a gestão genética, a conectividade entre territórios e novas reintroduções. O documento contempla ainda medidas de prevenção de conflitos com as comunidades locais, promoção do desenvolvimento rural, reforço da investigação científica, cooperação luso-espanhola e redução das causas de mortalidade.
Entre os principais fatores de risco para o lince-ibérico continua a destacar-se o atropelamento rodoviário. Nos últimos dez anos, esta foi a causa mais frequente de morte da espécie, com dezenas de ocorrências registadas. Para reduzir estes números, estão a ser aplicadas soluções como sinalização específica nas estradas e sistemas tecnológicos que alertam os condutores para a presença de animais.

Para o diretor regional do ICNF de Lisboa e Vale do Tejo, Carlos Albuquerque, este novo plano marca o início de uma nova etapa no projeto, permitindo responder aos desafios que surgem com o crescimento da população, sem deixar de reconhecer o sucesso alcançado até agora.
Durante a sessão, foi também celebrado um acordo entre o ICNF e as Águas do Algarve, que assegura um apoio financeiro anual de 350 mil euros, até 2037, ao Programa de Reprodução em Cativeiro do lince-ibérico em Portugal.

O programa de conservação da espécie começou com a reprodução em cativeiro, tendo os primeiros linces sido libertados na natureza em 2011. Desde então, centenas de animais já foram devolvidos ao meio natural, num esforço conjunto que envolve entidades públicas e privadas de Portugal e Espanha, sob coordenação do ICNF em território nacional.

Imagem: DDCB