O Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), futura Universidade de Leiria e Oeste, foi reconhecido como a segunda instituição de ensino superior mais inclusiva de Portugal no âmbito do Guia do Estudante Universitário com Deficiência 2026. A distinção destaca o trabalho desenvolvido pela instituição na promoção da acessibilidade, da igualdade de oportunidades e do apoio a estudantes com deficiência ou necessidades educativas específicas.
A avaliação foi realizada pelo projeto Ensino Superior + Inclusivo, que analisa diversos indicadores relacionados com as condições oferecidas pelas instituições de ensino superior aos seus estudantes. Entre os critérios avaliados encontram-se a existência de estruturas de apoio especializadas, a adaptação dos métodos de avaliação, a acessibilidade física e comunicacional dos espaços, o acompanhamento psicopedagógico e as iniciativas destinadas a promover uma cultura de inclusão no meio académico.
Segundo o Politécnico de Leiria, este reconhecimento resulta de uma estratégia consolidada que tem vindo a ser desenvolvida ao longo dos últimos anos e que procura garantir que todos os estudantes encontram condições adequadas para frequentar o ensino superior e concluir com sucesso o seu percurso académico.
Para Carlos Rabadão, presidente da instituição, a distinção constitui um sinal de que o trabalho realizado tem produzido resultados concretos. “Este reconhecimento reflecte o trabalho consistente que temos vindo a desenvolver na promoção de uma instituição cada vez mais inclusiva, acessível e centrada nas necessidades dos estudantes. A inclusão é um princípio estruturante da nossa instituição e uma dimensão essencial da universidade que estamos a construir, preparada para responder à diversidade de necessidades da comunidade académica”, afirmou.
Uma parte significativa deste trabalho tem sido desenvolvida através do Centro de Apoio ao Estudante (CAE), estrutura responsável pelo acompanhamento especializado dos alunos e pela implementação de medidas destinadas a promover a integração, o bem-estar e o sucesso académico. O centro presta apoio em diferentes áreas, procurando responder de forma individualizada às necessidades específicas de cada estudante.
Entre as iniciativas implementadas destaca-se a figura do Gestor de Caso, criada para assegurar um acompanhamento personalizado a estudantes com necessidades educativas específicas ou em situações de maior vulnerabilidade. Este modelo permite uma articulação mais eficaz entre os diferentes serviços e escolas da instituição, garantindo respostas adaptadas a cada realidade.
Outra das medidas apontadas como exemplo de boas práticas é o programa Buddy ENEE, que assenta num sistema de apoio entre pares. Através desta iniciativa, estudantes voluntários acompanham colegas com necessidades específicas, facilitando a integração académica, social e pessoal no contexto universitário.
O Politécnico de Leiria disponibiliza igualmente um Cartão de Horas de apoio à aprendizagem, permitindo que estudantes possam beneficiar de acompanhamento adicional por parte de docentes e gestores de caso, contribuindo para ultrapassar dificuldades e promover melhores resultados académicos.
O reforço da inclusão tem sido acompanhado por um investimento contínuo nos recursos humanos afetos ao Centro de Apoio ao Estudante. Atualmente, a equipa integra seis psicólogos, uma técnica superior da área do serviço social e duas técnicas superiores de Educação Especial, reforçando a capacidade de resposta às diferentes necessidades da comunidade estudantil.
“Este reforço reflecte o investimento que temos vindo a realizar para dar resposta aos estudantes com necessidades educativas específicas, assim como a toda a comunidade estudantil”, sublinhou Carolina Henriques, pró-presidente do IPLeiria para a área da Saúde, Qualidade de Vida e Bem-Estar.
Paralelamente, a instituição tem promovido ações de formação dirigidas a docentes, técnicos e colaboradores não docentes, procurando reforçar as competências necessárias para lidar com a diversidade de situações presentes no contexto académico. Entre os projetos em desenvolvimento encontra-se também o SAPE 2.0, financiado pelo Programa Nacional de Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior da Direção-Geral do Ensino Superior.
Para Carolina Henriques, a inclusão exige um compromisso permanente de toda a instituição e não apenas a implementação de medidas isoladas. A responsável considera que o objetivo passa por construir uma cultura organizacional baseada na valorização da diversidade e na eliminação de barreiras que possam limitar a participação plena dos estudantes na vida académica.
Além do trabalho desenvolvido pelo Centro de Apoio ao Estudante, o reconhecimento alcançado contou também com o contributo de estruturas como o Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID), dedicado à adaptação de materiais e disponibilização de tecnologias de apoio, e do aTOPlab – Assistive Technology and Occupational Performance Laboratory, laboratório especializado na investigação, desenvolvimento e aplicação de tecnologias de apoio destinadas a pessoas com incapacidades permanentes ou temporárias.
Com esta distinção, o Politécnico de Leiria reforça a sua posição como uma das instituições de referência no ensino superior português no domínio da inclusão, numa altura em que se prepara para a transição para Universidade de Leiria e Oeste, mantendo a aposta em políticas orientadas para a igualdade de oportunidades e para o sucesso académico de todos os estudantes.
Imagem: Politécnico de Leiria












