O mais recente inquérito sobre condições de saúde em Portugal, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no âmbito das “Estatísticas da Saúde” e na véspera do Dia Mundial da Saúde, revela que 44,1% da população com 16 ou mais anos sofre de doenças crónicas ou problemas de saúde prolongados em 2025. Este valor representa um aumento de 1,8 pontos percentuais relativamente a 2024, sendo mais evidente entre os homens com idades entre 16 e 64 anos e nas mulheres com 65 ou mais anos.
Os dados indicam que a prevalência é maior entre mulheres (47,6%) do que homens (40,2%) e afeta especialmente a população idosa, atingindo 69,7% dos maiores de 65 anos, face a 33,9% entre os mais jovens. Em termos de situação profissional, os reformados são os mais afetados (70,3%), seguidos pelos desempregados (43,3%) e pelos trabalhadores ativos (32,5%).
A análise regional mostra disparidades significativas: a Madeira regista a maior prevalência (47,5%), enquanto o Algarve apresenta a menor incidência de doenças crónicas ou problemas de saúde prolongados (38,5%), sendo a única região do continente abaixo dos 40%.
O nível de escolaridade influencia também a probabilidade de apresentar problemas de saúde prolongados. A população sem qualquer nível de escolaridade completo apresenta a maior proporção (78,5%), seguida pelos indivíduos com ensino básico (54,5%), enquanto aqueles com ensino secundário ou superior registam valores significativamente mais baixos, 31,5% e 32,5%, respetivamente.
No contexto europeu, Portugal continua entre os países com maior proporção de população afetada por doenças crónicas, situando-se, em 2024, como o terceiro Estado-membro da UE-27 com valores superiores a 40%. A esperança média de vida à nascença em Portugal foi estimada em 82,5 anos em 2023, com 85,3 anos para mulheres e 79,5 anos para homens.
Estes dados sublinham a necessidade de políticas de saúde direcionadas para os grupos mais vulneráveis, incluindo idosos, mulheres e pessoas com menor escolaridade, bem como a importância de estratégias regionais adaptadas às especificidades locais, com destaque para a menor incidência registada no Algarve.











