Uma ativista ligada ao movimento Climáximo foi condenada a um ano e seis meses de prisão, com pena suspensa, na sequência de uma ação de protesto realizada no Campo de Tiro de Alcochete, local escolhido para a futura construção do novo aeroporto de Lisboa.
A decisão judicial surge depois de uma iniciativa promovida em maio de 2025, durante a qual vários elementos do movimento entraram nos terrenos, plantaram sobreiros e exibiram uma faixa contra o projeto aeroportuário com a mensagem “Aeroporto de Alcochete p’ró cacete – Nem aqui, nem em lado nenhum!”.
A ação decorreu de forma pacífica e, segundo os organizadores, sem causar danos materiais.
Em comunicado, o Climáximo considera que a sentença representa uma resposta desproporcionada a um protesto ambiental. O coletivo contesta igualmente o facto de o processo ter sido apreciado por um tribunal militar, argumentando que a ativista é civil e que a manifestação teve um caráter exclusivamente simbólico.
A condenação está relacionada com o crime de entrada ou permanência ilegítima em área militar, uma vez que o Campo de Tiro continua sob jurisdição das Forças Armadas.
A iniciativa pretendia chamar a atenção para o impacto ambiental associado à construção do futuro aeroporto em Alcochete. Os ativistas defendem que o projeto contribuirá para o aumento das emissões de gases com efeito de estufa e terá consequências negativas para o ecossistema local, incluindo o abate de milhares de sobreiros.
Após ser conhecida a decisão do tribunal, Bianca Castro manifestou-se publicamente, considerando a pena excessiva. Nas redes sociais, comparou a sua condenação com outras decisões judiciais aplicadas em processos por crimes mais graves, alimentando um debate sobre a proporcionalidade das penas em Portugal.
A publicação motivou centenas de reações e manifestações de apoio por parte de ativistas, artistas e outras figuras públicas.
Ainda assim, o Climáximo garante que continuará a promover ações de contestação contra projetos que considera prejudiciais para o ambiente, defendendo que a luta pela justiça climática não será travada por decisões judiciais.
Imagem: Bianca Castro, Climáximo












