A associação ambientalista Almargem lançou um alerta sobre a situação da gestão de resíduos sólidos urbanos (RSU) no Algarve, classificando-a como “grave e próxima do colapso”. A preocupação surge no âmbito da Consulta Pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do Aterro Sanitário do Sotavento, aberta até 4 de fevereiro, que prevê o alargamento de mais uma célula de receção de resíduos na região.
Segundo a Almargem, esta abordagem mantém uma estratégia repetida e falhada, centrada na expansão contínua de aterros em vez de procurar soluções estruturais para a problemática dos resíduos no Algarve. A associação promoveu, no dia 29 de janeiro, uma sessão de informação e apoio à participação pública na Cortelha, envolvendo a população local e regional, e revelou que o diagnóstico recolhido é preocupante, próximo de um colapso do sistema.
Os moradores das zonas próximas aos aterros são os mais afetados, enfrentando poluição diária, maus cheiros persistentes, circulação intensa de veículos pesados, dispersão de plásticos e papel por quilómetros, e incumprimento das promessas das autoridades responsáveis. Segundo a Almargem, esta situação cria desespero, cansaço e desilusão, levando alguns residentes a duvidar da eficácia da Consulta Pública e até a ponderar formas de protesto mais drásticas.
Entre os problemas identificados, a associação destaca práticas ilegais e inaceitáveis, como a deposição contínua de matéria orgânica em aterro sem triagem prévia, compactação ineficaz dos resíduos e uma taxa de deposição em aterro no Algarve de cerca de 81,9%, muito acima da média nacional.
Para a Almargem, não faltam leis, estudos ou recursos financeiros, mas sim “ação, visão e coragem política”. A associação apela às autarquias, à AMAL e à empresa concessionária ALGAR que assumam as suas responsabilidades e promovam mudanças concretas.
A entidade considera que, sem uma gestão adequada dos RSU, o Algarve não poderá afirmar-se como destino turístico de excelência, defendendo uma reforma urgente que esteja à altura dos padrões europeus do século XXI.
Imagem: Barlavento












