O novo diretor regional do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) no Algarve, Ricardo Pinto, assumiu em dezembro a missão de reduzir assimetrias no acesso a apoios e programas para jovens e clubes desportivos na região. Segundo o dirigente, cinco concelhos algarvios – Aljezur, Alcoutim, Monchique, Tavira e Vila do Bispo – não têm associações juvenis formalmente constituídas, um reflexo das desigualdades existentes entre meios urbanos e rurais no aproveitamento de financiamentos e recursos disponíveis.
Ricardo Pinto, que desempenhou funções na Junta de Freguesia de Armação de Pêra e como técnico superior na Câmara de Silves, defende uma ação mais inclusiva: «Fazer com que o IPDJ possa chegar mais longe, e, mais do que chegar mais longe, chegar a todos», explicou em entrevista ao Sul Informação. O objetivo é garantir que todos os jovens tenham acesso aos programas, mesmo em concelhos ou freguesias onde existem apenas grupos informais e que necessitam de apoio na criação de estatutos e na regularização burocrática.
O diretor regional sublinha que o trabalho começará com o diálogo direto com os municípios e, em particular, com as juntas de freguesia, consideradas parceiras privilegiadas na identificação das necessidades locais. «Cada concelho tem as suas especificidades, e é fundamental perceber as realidades de cada território», acrescenta, referindo que áreas mais pequenas ou menos estruturadas podem sentir-se isoladas em relação ao acesso a programas de apoio.
No setor desportivo, Ricardo Pinto destaca que muitos clubes no Algarve não aproveitam integralmente os programas existentes. «Os apoios estão disponíveis para todos, mas clubes com estruturas mais consolidadas acabam por estar mais capacitados para aceder a estes financiamentos. Há outros que fazem um trabalho heróico e muitas vezes nem sabem que estes programas existem», afirma. Entre os programas em vigor, destaca-se o Programa Nacional de Desporto para Todos (PNDpT), que apoiou 44 clubes em 2025 com 145 mil euros, e o Programa de Reabilitação de Instalações Desportivas (PRID), que já contemplou a Associação Escolinha de Guarda-Redes de Futebol Luís Rodrigues, com 36.512,57 euros. Novos processos estão em curso para beneficiar outros clubes da região.
O diretor regional realça ainda o impacto do Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo, lançado pelo Governo no ano passado, que mobiliza mais de 130 milhões de euros para educação desportiva, inclusão, alto rendimento, modernização de infraestruturas, governação e financiamento do sistema desportivo. Segundo Ricardo Pinto, a direção regional do IPDJ terá um papel central em apoiar clubes a conhecerem e instruírem os processos para aceder a este investimento: «Porque não chega só a boa vontade do diretor regional… é preciso que os clubes aproveitem as oportunidades disponíveis».
Com este mandato, Ricardo Pinto pretende criar condições de igualdade entre todos os concelhos do Algarve, corrigir assimetrias históricas no associativismo juvenil e reforçar o apoio aos clubes, promovendo uma maior inclusão e participação de jovens e comunidades locais nos projetos e programas do IPDJ.
Imagem: Sul Informação












