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Praias do Algarve perdem até 24 metros de areal após tempestades

Autor:

Redação

13 Março 2026

Redação

13 Março 2026

As recentes tempestades de inverno provocaram um recuo significativo do areal em várias praias do Algarve, com perdas que chegam a 24 metros na Praia do Peneco, em Albufeira, segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). No total, 35 praias da região registaram impactos relevantes devido às condições meteorológicas extremas, que também afetaram arribas, passadiços e outras infraestruturas costeiras.

O relatório da APA, apresentado na quarta-feira, dia 11 de março, detalha que, na Administração da Região Hidrográfica do Algarve, os principais efeitos das tempestades se traduziram em danos localizados nos acessos às praias, em apoios de praia e no recuo da linha de costa. Os prejuízos estimados para a faixa costeira portuguesa ascendem a cerca de 27 milhões de euros, com intervenções imediatas previstas, às quais se acrescentarão obras mais estruturantes no curto e médio prazo.

Entre os concelhos mais afetados destacam-se Albufeira, com nove praias em situação crítica, e Lagoa, com oito. O levantamento, realizado no âmbito do programa Cosmos, incluiu medições extraordinárias do recuo do areal desde maio e junho de 2025 até fevereiro de 2026, focando áreas consideradas críticas devido à tendência erosiva e ao risco associado.

O caso mais grave registou-se na Praia do Peneco, com um recuo máximo de 24 metros da berma da praia. Outros exemplos significativos incluem o recuo de 15 metros na praia de Loulé Velho–Trafal, de 14 metros na praia de Quarteira-Garrão e de 6 metros na praia do Forte Novo, todas situadas no concelho de Loulé.

Em visita ao Algarve no início de março, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou que será necessário reprogramar investimentos previstos para o litoral em função das tempestades, mas garantiu que as intervenções urgentes seriam concluídas ainda antes do verão. Para a época balnear de 2026, estão previstas apenas as obras essenciais, como a recolocação de passadiços e estruturas derrubadas, financiadas pelo Fundo Ambiental. As restantes intervenções dependerão de candidaturas mais detalhadas ao Programa Sustentável 2030, devendo avançar no próximo ano.

A governante destacou que o objetivo é que as situações mais críticas sejam resolvidas até maio, permitindo que os visitantes usufruam das praias com segurança antes do início da época balnear. Maria da Graça Carvalho enfatizou também que a estabilização das arribas é uma prioridade urgente, sobretudo no Algarve, região onde se concentram os problemas mais graves provocados por tempestades, chuvas intensas e ventos fortes.

Estas medições e intervenções refletem a necessidade de gestão proativa da costa algarvia, combinando ações imediatas de reparação com estratégias estruturantes de longo prazo, para reduzir os impactos da erosão e garantir a segurança de residentes e turistas nas zonas costeiras mais vulneráveis.

Foto: Bruno Filipe Pires