O Município de Caldas da Rainha inaugura esta quinta-feira a Oficina do Cutileiro, um espaço que funciona como núcleo inicial do futuro Museu da Cutelaria e que assinala simultaneamente o arranque do Encontro Mundial das Capitais da Cutelaria, evento que reúne representantes de sete países.
A nova Oficina do Cutileiro constitui a primeira etapa de um projeto mais amplo que a autarquia pretende desenvolver na freguesia de Santa Catarina. O objetivo passa pela criação de um museu dedicado à cutelaria, articulado com diferentes espaços expositivos e interpretativos, permitindo estruturar um percurso temático que documente a evolução histórica desta atividade no concelho.
Para concretizar esta fase inicial, o município investiu mais de 100 mil euros na aquisição e adaptação de um edifício, transformado num espaço que recria as condições de trabalho dos mestres cutileiros antes da generalização da eletricidade. A instalação assume-se como um dispositivo museológico de caráter imersivo, concebido para preservar e transmitir técnicas tradicionais associadas à produção artesanal.
Paralelamente, encontram-se em preparação os conteúdos e infraestruturas do futuro Museu da Cutelaria, cuja abertura está projetada para o próximo ano. O acervo integrará peças já existentes na posse da junta de freguesia, bem como contributos de particulares, que têm vindo a disponibilizar objetos para exposição permanente.
O arranque deste projeto coincide com a realização, pela primeira vez em Portugal, do Encontro Mundial das Capitais da Cutelaria, que decorre até 3 de maio. A iniciativa reúne delegações de países como Espanha, França, Alemanha, Turquia, Argentina e Itália, integrando uma rede internacional dedicada à valorização e promoção desta indústria. Durante o evento, ficará também patente ao público uma exposição itinerante que circula entre as cidades participantes.
Na região Oeste, a atividade da cutelaria concentra-se sobretudo nos concelhos de Alcobaça, na freguesia da Benedita, e das Caldas da Rainha, em Santa Catarina, representando cerca de 80% da produção nacional. O setor integra sete empresas de grande dimensão e mantém em atividade 14 artesãos especializados em cutelaria de autor.
Globalmente, esta indústria assegura cerca de 600 postos de trabalho diretos e gera um volume de negócios anual na ordem dos 50 milhões de euros. Caracteriza-se por um elevado valor acrescentado e forte orientação exportadora, com produtos presentes em segmentos exigentes como a hotelaria de alto nível, a indústria alimentar e o mercado internacional de colecionismo.











