Início

Notícias

Programação

Podcasts

Equipa

Ouvir

Fertagus aponta Infraestruturas de Portugal como responsável por grande parte da sobrelotação nos comboios

Autor:

RDS Redação

29 Janeiro 2026

RDS Redação

29 Janeiro 2026

O presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, anunciou que vai reunir-se na próxima quarta-feira com a administração da Fertagus, numa nova tentativa de exigir soluções concretas para os problemas de atrasos, supressões e sobrelotação que afetam diariamente milhares de passageiros da Margem Sul. O anúncio surge após o autarca ter realizado, esta segunda-feira, uma viagem de comboio entre as estações de Coina e Sete Rios, atravessando a Ponte 25 de Abril, com o objetivo de observar no terreno as condições do serviço.

Depois de, na semana anterior, ter feito apenas um percurso dentro do concelho do Seixal, Paulo Silva decidiu alargar a deslocação até Lisboa, numa ação simbólica que contou também com a presença de um dos promotores da petição pública “Pela melhoria urgente do serviço da Fertagus e pelo fim dos atrasos e supressões constantes”. Em declarações à agência Lusa, o autarca explicou que esta iniciativa pretendeu confirmar, de forma direta, a realidade vivida diariamente por trabalhadores e estudantes. “É importante perceber no terreno aquilo que os munícipes enfrentam todos os dias”, afirmou, admitindo que poderá repetir a experiência noutras ocasiões.

A degradação do serviço da Fertagus já tinha sido duramente criticada por Paulo Silva no passado dia 20 de janeiro, quando classificou como “desumana” a forma como os passageiros viajam, denunciando carruagens frequentemente sobrelotadas e atrasos recorrentes. Nessa altura, o presidente da Câmara exigiu uma intervenção urgente tanto da empresa concessionária como do Governo, tendo solicitado reuniões ao Ministério das Infraestruturas e à Fertagus.

Enquanto o encontro com a operadora ferroviária está confirmado para esta semana, o pedido de reunião dirigido ao Governo continua sem resposta, segundo indicou o autarca, situação que considera preocupante face à dimensão do problema e ao impacto que tem na vida quotidiana da população da Margem Sul.

A acompanhar Paulo Silva nesta deslocação esteve Rui Rodrigues, um dos responsáveis pela petição pública que já ultrapassa as 7.800 assinaturas. Para o promotor, os constrangimentos não se limitam ao Seixal, afetando vários concelhos da região. Rui Rodrigues defende mesmo uma posição concertada entre os autarcas de municípios como Almada e Setúbal, sublinhando que estas iniciativas, mesmo não resolvendo de imediato o problema, contribuem para lhe dar visibilidade pública.

Na passada sexta-feira, poucos dias após a primeira viagem do presidente da Câmara e depois de vários protestos de utentes, incluindo da Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, a Fertagus reconheceu oficialmente os constrangimentos no serviço. Em comunicado, a empresa apontou como principais causas o crescimento rápido da procura, as limitações da infraestrutura ferroviária, gerida pela Infraestruturas de Portugal, e a falta de material circulante disponível.

A operadora revelou ainda que está atualmente a funcionar com 17 das 18 unidades quádruplas elétricas, não tendo margem para reforçar a oferta no curto prazo. Adiantou também que estão em curso trabalhos técnicos para adaptar duas carruagens adquiridas à Renfe, num projeto que prevê a introdução de uma quinta carruagem nas composições atuais. No entanto, este processo poderá demorar cerca de um ano e meio até que as novas soluções entrem em funcionamento.

A Fertagus detém a concessão do transporte ferroviário de passageiros no eixo norte-sul, incluindo a travessia da Ponte 25 de Abril, assegurando a ligação entre os distritos de Lisboa e Setúbal através de 14 estações, dez localizadas na Margem Sul do Tejo e quatro na Margem Norte.

Imagem: Rui Minderico/Lusa