A vice-presidente da Câmara de Peniche, Cristina Leitão, pediu ao Estado financiamento para avançar com obras de estabilização das arribas, destacando que a instabilidade, sobretudo na Consolação e no Baleal, se agravou com o recente mau tempo.
“A situação das arribas já não era estável e agravou-se com o mau tempo”, afirmou Cristina Leitão em declarações à agência Lusa. A autarca adiantou que o município irá solicitar uma reunião à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com o objetivo de obter apoios financeiros, uma vez que o orçamento municipal não permite suportar estas intervenções.
Entre os pontos mais críticos, segundo Cristina Leitão, encontra-se a arriba norte da ilha do Baleal, cuja estabilidade foi comprometida por novas derrocadas registadas durante os temporais. A situação coloca em risco a segurança de pessoas e a infraestrutura existente, nomeadamente a estrada e o parque de estacionamento, cuja capacidade de uso ainda necessita de avaliação através de estudos especializados.
Outra área de preocupação é a arriba junto ao Forte da Consolação, cuja intervenção tem sido aguardada há vários anos, apesar de já terem sido realizados estudos geotécnicos. A vice-presidente acrescentou que a instabilidade se agravou recentemente devido a uma nova derrocada provocada pelo mau tempo, tornando urgente a adoção de medidas de proteção.
A autarca lembrou ainda que a APA prevê obras de consolidação das arribas junto ao Bairro do Visconde, na cidade de Peniche, e na ilha das Berlengas, mas essas intervenções ainda não foram executadas. O relatório da APA sobre as ocorrências provocadas pelos temporais menciona também episódios de erosão costeira nas praias do Baleal, Gambôa, Molhe Leste e Supertubos, além de instabilidade das arribas nas praias do Abalo, São João Baptista (ilha da Berlenga), Rochas e Salgueiro. Nas praias de São Bernardino e Frades, o mau tempo causou danos em obras de proteção costeira e agravou a instabilidade das arribas.
O relatório estima que os danos provocados pelo mau tempo entre outubro e fevereiro no litoral de Portugal continental exigem um investimento total de 111 milhões de euros, dos quais 15 milhões deverão ser aplicados antes do início do verão.
Os temporais, que afetaram o país durante cerca de três semanas, tiveram consequências graves em várias regiões, incluindo Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo. Pelo menos 19 pessoas morreram desde 28 de janeiro, vítimas das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram ainda centenas de feridos, desalojados e deslocados, além de destruição parcial ou total de milhares de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores, interrupções de energia, água e comunicações, inundações e prejuízos avaliados em milhares de milhões de euros.
Imagem: Vitor Oliveira / Portuguese_eyes











