Um estudo internacional com participação da Universidade do Algarve (UAlg) concluiu que os últimos Neandertais na Europa, antes do seu desaparecimento há cerca de 40 mil anos, descendiam de uma única linhagem genética.
A investigação envolveu investigadores do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB), da UAlg, e foi liderada por uma equipa da Universidade de Tübingen, na Alemanha. O trabalho, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), combina dados de ADN com evidência arqueológica para reconstruir a história populacional dos Neandertais tardios.
A análise centrou-se no ADN mitocondrial, transmitido pela linha materna, obtido a partir de dentes e ossos de Neandertais. Os investigadores conseguiram sequenciar o ADN de dez indivíduos até então desconhecidos, provenientes de seis locais arqueológicos na Bélgica, França, Sérvia e Alemanha.
Entre os resultados, destaca-se a identificação de um dos indivíduos mais jovens alguma vez estudados, possivelmente um feto, cuja preservação genética permitiu novas conclusões sobre a evolução desta espécie.
Os dados sugerem que, após um declínio populacional, um pequeno grupo de Neandertais terá sobrevivido numa zona de refúgio climático no atual sudoeste de França, há cerca de 75 mil anos. A partir dessa população, terá ocorrido uma expansão por toda a Europa há cerca de 65 mil anos.
Esta expansão levou a que a maioria dos Neandertais tardios partilhasse uma mesma linhagem genética, distribuída desde a Península Ibérica até ao Cáucaso. No entanto, entre há 45 mil e 42 mil anos, os investigadores identificam um declínio acentuado da população, imediatamente antes da extinção dos Neandertais.
Os resultados indicam que estes grupos apresentavam baixa diversidade genética e elevado grau de homogeneidade. Segundo a análise, este fator, combinado com o isolamento progressivo, poderá ter contribuído para o desaparecimento da espécie.
Imagem: Alice Walczer Baldinazzo











